
Vocês devem estar perguntando, o que essa senhora tem haver com o nosso tema????
Bem! vamos deixar de delongas e começar a nossa história.
Dezembro de 1942, nasce uma menina que foi nomeada como Vanda, era o interior da Bahia, Caboto. Aos quatro anos começou a sua jornada pela vida, saiu desse seu habitat e foi morar na dita "cidade grande", Salvador, ainda pequena nem tinha direito saído das fraldas teve que conviver com essa mudança brusca, o pior foi enganada, disseram que só seriam apenas uns dias. Seu pai funcionário da prefeitura, separado de sua mãe, tinha se casado novamente, e como naquela época quem sustentava os filhos era o pai, levava todos os seus filhos para conviver com a sua última mulher.
Na pré-adolecencia, como fala-se hoje, sua mãe faleceu proveniênte de um problema de estômago, até hoje ela não sabe direito, também, ninguém explicava nada para criança.
Imagine como não ficou a cabecinha dessa menina!
O tempo passou, como dizem a vida continua, e como toda família daquela época, os meninos iam para oficina aprender uma profissão e as meninas aprender a costurar. Isso não foi diferente com Vanda, porém a única diferença é que o pouco dinheiro que recebia sendo auxiliar de costura, tinha que entregar para a madastra para ajudar nas despesas da casa. O que lhe restava era bastante pouco, na verdade só para o transporte; e não sobrava nem um dinheiro a mais para um picolé sequer.
Com muito sacrifício, conseguiu fazer um curso de auxiliar de enfermagem, com essa profissão, vivia no trabalho, e o dinheiro extra conseguia tirando plantão da colegas, mesmo sendo estagiária, já mostrava que era boa naquilo. Ela jurou para si mesma, que não teria uma vida como as amigas do bairro, inclusive sua irmã mais velha. Casavam-se tinham filhos e não eram poucos e depois tinha que lavar roupa de ganho para ajudar o marido.
Vendo o seu esforço e sacrifício, O grande Pai, deu uma ajudinha, colocou-a em uma empresa de grande porte. Ela começou a ganhar melhor, e nem acreditava quando recebia o seu salário.
Porém essa melhora financeira, fez com que ela, fosse mais explorada pela família, além de toda alimentação, pagava toda a conta da casa. Se fosse outra pessoa, teria largado tudo e tinha construido a sua vida bem longe, mas ela não fez isso, pelo contrário, pegou suas econômias e construiu uma casa para sua família.
Vanda já era uma mulher nessa época, jovem, mais mulher. Conheceu seu marido na empresa onde trabalhava, apaixonou-se e casou-se, teve duas filhas, mas como tudo não é perfeito, houve um corte na empresa e ela foi uma que foi demitida.
Como tinha duas filhas pequenas, optou por cuidar da familia, ou seja ser dona de casa. Empregou o seu dinheiro da ressição para ajudar a pagar as prestações e a reforma de sua casa,
Parecia que essa história tinha chegado ao fim, puro engano, era só o começo...
Muitos dizem que casamento fosse bom, não precisava de testemunha. Infelizmente o dela seguiu ao pé da letra esse dito. Depois que seu dinheiro acabou, ficou totalmente dependente do seu marido, para não ficar totalmente a zero, dava injeções e tirava a pressão de algumas pessoas, ali mesmo no bairro.
Porém teve que conviver, com uma doença, triste que destroi não só o enfermo como tudo ao seu redor, o ALCOOLISMO. Essa doença devastadora, destruiu não só o seu casamento como também a sua casa, e quase a sua auto-estima.
Com a perda da casa, foi morar de aluguel em um bairro popular, isso não era um problema tão grave, mas com as bebidas, sua vida familiar virou um inferno, quando pensou em se separar, dar um basta naquilo. Aconteceu o pior.
Seu marido fica gravemente doente, adquiriu uma sirose hepática, além da diabete e pressão alta. Seus sonhos são desmoronado. Não podia abandonar um homem que estava na cama, dependendo dela, tinha que esquecer tudo e focar sua energia, naquele que foi um dia o seu amor.
Foram anos de luta, entre hospitais e o agravamento do seu marido, não tinha forças para nada, ou seja dependia dela para tudo. Até que em 1986, aos 50 anos o sofrimento do seu marido chegou ao fim. A doença venceu mais uma vez seres humanos.
E agora o que fazer? Teve medo, mas não se deixou abater e transparecer, tinha que continuar vivendo, pensava em suas filhas, que apesar de já terem 19 e 20 anos, ainda precisava muito dela.
Muitas mulheres por muito pouco se deixam a depressão abatê-la, mas Vanda não...
Procurou tocar a sua vida de modo honesto, queria ser feliz. Hoje com 65 anos, frequenta um grupo da terceira idade, procura viajar, fazer trabalhos manuais, procura ser feliz.
Essa pessoa é o meu maior exemplo de superação, quando lembro da sua história, vejo que nada é impossível, quando queremos de verdade.
Vanda é minha mãe, minha heroína, espero com o tempo chegar a 1/3 da sua perceverânça e fé em Deus. Admiro o seu auto-controle e a sua capacidade de submergir.
"TE AMO MÃE, de todo meu coração"
(Vanildes Ribeiro)